quarta-feira, 22 de março de 2017

#39 - Docas de Nova York (1928)

Título: The Docks of New York
Duração: 76 minutos
Dirigido por: Josef von Sternberg
Escrito por: Jules Furthman
Produzido por: Harold Rosson
Estrelado por: George Bancroft, Betty Compson, Olga Baclanova, Clyde Cook
IMDB: 7,7
Rotten Tomatoes: 100%


     Docas de Nova York foi um daqueles filmes deliciosos de assistir, em que nem conseguimos notar o tempo passando. Naquele estilo de "os brutos também amam", a história nos envolve (mesmo sem contar muitos detalhes) e nos faz torcer e acreditar naquele casal. Divertido e agradável, com um romance instigante.
     Este é o primeiro filme de von Sternberg que eu assisto, e confesso que adorei. A história nos mostra Bill Roberts, um homem bruto que trabalha nas fornalhas de um navio, recebe uma noite de folga em terra. Logo no início ele salva Mae, uma linda jovem em depressão que tentara se matar, da água.
     Paralelo a isto acompanhamos a história de Lou e Sugar Steve, o chefe de Bill. Depois de anos seu casamento está destruído, tanto que ao encontrar sua mulher com outro homem no mesmo lugar em que estava, sequer brigou. Nesta trama "secundária" devo ressaltar a brilhante atuação de Baclanova.
     Voltando a história principal, Bill rouba roupas em uma loja para Mae vestir e convence a jovem a aceitar sair em um encontro com ele. Bill se envolver em uma briga com seu chefe e antes do fim da noite pede Mae em casamento.
     O que no início era uma brincadeira se torna sério quando o pastor é chamado. Os dois então são casados. No dia seguinte, Bill acorda cedo e se prepara para voltar o navio e nunca mais voltar a ver Mae. Enquanto isso a jovem acredita que seu casamento foi sincero e espera a volta de seu marido.
     Um novo incidente antes que Bill embarque junta os dois novamente, mas ele está decidido a volta para seu navio. Ele então se divide entre a paixão por sua "esposa" ou continuar na sua mesma vida dentro do navio.
Com a atuação quase perfeita de Betty Compson, o filme e sua trama praticamente boba consegue ganhar corpo e convencer. Confesso que um dos meus filmes favoritos da lista até este momento.

NOTA: 9,5/10. Ok, eu sei que falei que foi um dos meus favoritos. Mas ele infelizmente não está no nível nota 10.

CURIOSIDADES:

O filme foi filmado completamente no Hollywood Sound Stage.

CITAÇÕES:

"The Waterfront of New York - The end of many journeys, the beginning of many adventures."

"I've had to many good times."

"Chief, last night's over. Today's another day!"

PRÓXIMO: Um Cão Andaluz... um filme de 20 minutos de Luis Buñuel e inspiração em Salvador Dalí.

segunda-feira, 13 de março de 2017

#38 - A Turba (1928)

Título: The Crowd
Duração: 98 minutos
Dirigido por: King Vidor
Escrito por: King Vidor
Produzido por: Irving Thalberg
Estrelado por: James Murray, Eleanor Boardman, Bert Roach
IMDB: 8,0
Rotten Tomatoes: 96%


     A Turba é talvez o filme mais emocionante que eu assisti em toda a minha vida. Este filme me lembrou algo da essência de Aurora, é um filme sobre pessoas comuns, um filme em que o público pode se imaginar dentro dele.
     John Sims nasceu no dia 4 de Julho de 1900. Nascer no dia da Independência do primeiro ano do século só poderia significar que o jovem estava destinado a grande coisas não é mesmo? Esta ideia lhe foi incutida na cabeça durante a infância e quando chegou na idade adulta queria ser tudo menos comum.
     John conheceu Mary e por ela se apaixonou. Ele tinha seu emprego em um escritório. Se casou. Dois filhos nasceram e o salário de John aumentou. Resumo todos esses fatos em poucas palavras, mas acreditem em mim, sua execução é brilhante e nos arranca várias emoções. A cada boa notícia naquela família vibramos juntos, a cada briga daquele casal sofremos, a cada golpe que a vida lhes dá, nos aproximamos ainda mais deles.
     Tudo muda quando a jovem filha dos Sims é atropelada por um caminhão e morre. A derrocada de John começa naquele momento. Afinal, ele é tão comum quanto qualquer outro, ele vê que é mais um na multidão. A morte de sua filha quebra seu espirito e ele não consegue permanecer em seu emprego.
     Na luta para viver ele passa por uma série de dificuldades, trocando de emprego a cada semana e com os irmãos ricos de Mary tentando separar-lhes. Com dificuldades até mesmo para levar comida para a casa, John acaba por aceitar chegar no fundo do poço, segundo a sua visão antiga, trabalhar como palhaço nas ruas da cidade.
     O final consegue ser a melhor parte. Não irei revelar a vocês, mas eu chorei vendo aquelas cenas finais. E ver este filme foi perceber tão profundamente como somos comuns, como somos parte da multidão gigantesca.
     E os cenários do filme foram produzidos para aumentarem o sentimento de ser apenas mais um. A casa dos Sims é extremamente pequena, enquanto os outros cenários são anormalmente grande, como o escritório em que John trabalha. Enquanto a câmera vai se afastando, a figura do protagonista se torna apenas mais uma figura debruçada sobre a mesa trabalhando, nada de especial, nada de incomum.
     Alguns talvez não gostem da ideia do filme, mas confiem em mim e deem uma chance para ele. Ah, e mais um motivo para vê-lo: a atuação não apenas impecável mas maravilhosa de James Murray e Eleanor Boardman.

NOTA: 10/10

CURIOSIDADES:

James Murray era um ator pouco qualificado que aparecia praticamente apenas como figurante. Seu alcoolismo atrapalhava sua carreira. Esta decadência e falta de fama foi o que fez King Vidor escolhê-lo para o papel. Murray inicialmente faltou a reunião por considerar que o convite para interpretar um protagonista era piada.

Vidor foi obrigado a gravar 9 finais diferentes para o filme, porque a MGM não gostava de filmes com finais tristes. (Vidor, você escolheu o certo, o final é emocionante e lindo)

Quando Jean-Luc Goddard foi perguntado na década de 1960 porque ninguém estava fazendo filmes sobre pessoas comuns, ele respondeu "Why remake The Crowd? It has already been done"

O primeiro filme a mostrar um banheiro.

Dez anos após o filme o alcoolismo de Murray o levou a se tornar um mendigo vivendo nas ruas. Um dia King Vidor o encontrou e ofereceu a ele o papel principal em seu próximo filme. Murray recusou e xingou o diretor. O artista seria encontrado morto pouco depois, provavelmente tendo cometido suicídio.

CITAÇÕES:

"The crowd laughs with you always... but it will cry with you for only a day."

"Look at that crowd! The poor boobs... all in the same rut!"

PRÓXIMO: Docas de Nova York...um filme de von Sternberg no estilo os brutos também amam.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Oscar - 1925/1927

MELHOR FILME:
O Fantasma da Ópera (Rupert Julian-1925)
Em Busca do Ouro (Charles Chaplin-1925)
O Grande Desfile (King Vidor-1925)
Metrópolis (Fritz Lang-1927)
Aurora (F.W. Murnau-1927)
O Monstro do Circo (Tod Browning-1927)
O Caçula (Ted Wilde-1927)

Nestes dois anos tivemos filmes ótimos, incluindo alguns destaques nas comédia (A General quase foi indicada também). A disputa entre Metrópolis e Aurora foi extremamente difícil, os dois são maravilhosos e profundos. Porém devo seguir meu coração e conceder o prêmio de melhor filme para Aurora.


MELHOR DIRETOR:
Rupert Julian (O Fantasma da Ópera)
Sergei Eisenstein (O Encouraçado Potemkin)
Charles Chaplin (Em Busca do Ouro)
King Vidor (O Grande Desfile)
Fritz Lang (Metrópolis)
F.W. Murnau (Aurora)
Buster Keaton (A General)
Abel Gance (Napoleão)

Fritz Lang recebe o prêmio desta vez, mas Abel Gance fez um trabalho primoroso em Napoleão e merecia tanto quanto Lang. Uma pena eu não ter apreciado tanto o longo épico de Gance.


MELHOR ATRIZ:
Mary Philbin (O Fantasma da Ópera)
Renée Adorée (O Grande Desfile)
Brigitte Helm (Metrópolis)
Janet Gaynor (Aurora)
Marion Mack (A General)
Joan Crawford (O Monstro do Circo)

Janet Gaynor estava simplesmente impecável em Aurora, sua atuação dramática mas simples, conseguindo transmitir suas emoções com extrema facilidade e coerência para o público. Mas Brigitte Helm conseguiu nos entregar duas atuações impecáveis em Metrópolis. Interpretando a doce e santa Maria e a femme-fatale que é o seu clone. Destaque também para a jovem iniciante Joan Crawford, que ainda veremos muito na lista.

MELHOR ATOR:
Lon Chaney (O Fantasma da Ópera/O Monstro do Circo)
Charles Chaplin (Em Busca do Ouro)
John Gilbert (O Grande Desfile)
Rudolf Klein-Rogge (Metrópolis)
Alfred Abel (Metrópolis)
George O'Brien (Aurora)
Buster Keaton (A General)
Albert Dieudonné (Napoleão)
Harold Lloyd (O Caçula)

Esta categoria foi talvez a mais competitiva desta edição. Temos Lon Chaney nos entregando dois papéis maravilhosos. Temos Metrópolis indicando dois atores esplêndidos e já conhecidos nossos (embora o ator principal do filme, Gustav Frölich, não tenha sido indicado). Temos Chaplin, Keaton e Lloyd concorrendo. Mas o grande vencedor não poderia ser outro além de Albert Dieudonné, o brilhante intérprete de Napoleão Bonaparte.


MELHOR CITAÇÃO:
"Would you marry me?" (Sete Oportunidades)
"-You - You are the Phantom! -If I am the Phantom, it is because man's hatred has made me so. If I shall be saved, it will be because your love redeems me." (O Fantasma da Ópera)
"There's a girl in France... " (O Grande Desfile)
" HEAD and HANDS need a mediator. THE MEDIATOR BETWEEN HEAD AND HANDS MUST BE THE HEART!" (Metrópolis)
"This song of the Man and his Wife is of no place and every place; you might hear it anywhere, at any time.
For wherever the sun rises and sets, in the city's turmoil or under the open sky on the farm, life is much the same; sometimes bitter, sometimes sweet. " (Aurora)
"Wait a minute, wait a minute. You ain't heard nothing yet" (O Cantor de Jazz)

Vocês não sabem o quanto me dóis não conceder estre prêmio para Metrópolis ou Aurora, ou até mesmo para O Fantasma da Ópera (uma vergonha ele acabar esta edição sem qualquer prêmio). Mas vocês não conseguem imaginar a emoção que senti ouvindo as primeiras frases faladas do cinema em O Cantor de Jazz. Definitivamente o prêmio merece ir para este filme.


PIOR FILME:
Outubro (Sergei Eisenstein-1927)

Felizmente o único filme realmente ruim desta edição foi Outubro. Não digo que eu tenha gostado de todos os outros, mas nenhum além deste merece a indicação para Pior Filme.

#37 - O Caçula (1927)

Título: The Kid Brother
Duração: 84 minutos
Dirigido por: Ted Wilde
Escrito por: Ted Wilde
Produzido por: Harold Lloyd
Estrelado por: Harold Lloyd, Jobyna Ralston, Walter James, Leo Willis, Olin Francis, Constantine Romanoff, Eddie Boland
IMDB: 7,7
Rotten Tomatoes: 85%


     A comédia mais engraçada da lista até este momento, O Caçula conseguiu não apenas me fazer rir em diversos momentos, mas também me envolver em sua história e me aproximar da tela ansioso em seu clímax.
     O filme nos mostra a história de Harold Hickory, interpretado pelo hilário Harold Lloyd, um fraco filho caçula do Xerife Jim Hickory, em nada parecidos com seus outros dois irmão mais velhos. Com uma inteligência aguçada, porém sem as habilidades prezadas pelos outros membros de sua família, Harold é desprezado.
     Um dia Mary chega a cidade acompanhada de um show de circo. Depois de algumas confusões, incluindo o dono do circo confundir Harold com o xerife, Mary e o jovem se apaixonam.
     Algumas cenas hilárias se seguem, como a ótima sequência em que Harold finge ser Mary para seu dois irmãos atrás de uma cortina. E então a história encontra o seu tema central. O dinheiro para a construção do açude local, que estava guardado na casa do Xerife, é roubado. Enquanto Jim é mantido preso em sua casa pela população, seus três filhos saem em busca dos donos do circos, os verdadeiros culpados. Leo e Olin falham em sua tarefa, mas Harold encontra os ladrões. Ele então precisa provar a si mesmo que é um herói e conseguir salvar seu pai e sua amada Mary.
     Eu adorei este filme, Harold Lloyd merece com toda certeza estar triunvirato da comédia muda, formado por Keaton, Chaplin e Lloyd. Um ótimo filme, uma comédia que não envelheceu com o tempo, mesmo aqueles que não são fãs de filmes mudos podem assistir este filme sem medo.

NOTA: 10/10.

CURIOSIDADES:

O filme favorito de Harold Lloyd entre todos os seus filmes.

O último filme da parceria entre Lloyd e Jobyna Ralston (uma pena, adorei os dois juntos).

PRÓXIMO: A Turba...um drama trágico de King Vidor.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

#36 - Napoleão (1927)

Título: Napoléon
Duração: 330 minutos
Dirigido por: Abel Gance
Escrito por: Abel Gance
Produzido por: Abel Gance
Estrelado por: Albert Dieudonné, Gina Manès, Vladimir Roudenko, Annabella, Edmond van Daële, Alexandre Koubitzky, Antonin Artaud, Philippe Hériat, Abel Gance, Nicolas Koline
IMDB: 7,5
Rotten Tomatoes: 93%


     Napoleão é um épico inovador. Por cinco horas vemos Abel Gance explorar a câmera com maestria enquanto a história mais vívida e detalhada sobre Napoleão nos era contada. Um filme com uma fotografia linda, atuação impecável e com cenas que nos prendiam...até certo ponto. O filme tem seus grandes méritos, mas não se sustenta por 5 horas.
     Abel Gance nos conta a história de Napoleão desde sua infância até o seu casamento com Josephine e suas primeiras vitórias italianas. O plano inicial do diretor era fazer 6 filmes contando toda a trajetória do Imperador francês, mas faltaram recursos para os próximos.
     Todos conhecem a história de Napoleão. Um jovem soldado que aumentou seu prestígio durantes as várias batalhas que participou após a Revolução Francesa e acabou se tornando Imperador. Porém este filme nos mostra apenas a parte antes de se tornar o líder francês. Vemos ele na escola sofrendo preconceito por ser da Córsega, vemos sua presença insignificante enquanto Danton, Robespierre e Marat decidem os destinos da nascente Revolução.
     A subida de Napoleão inicia com a sua vitória em Toulon. Mais tarde ele acaba preso, coincidentemente na mesma prisão de Josephine de Beauharnais. Após a sua facção ser vitoriosa, Napoleão é solto com todas as honras e rapidamente adquire uma posição respeitável no país. Neste momento acompanhamos o apaixonado romance entre Bonaparte e Josephine, enquanto que a jovem Violine Fleuri sofre um amor não correspondido.
     O filme tem todos os méritos que já citei, mas não se garante por 5 horas. Confesso que na metade do filme já havia perdido o total interesse.

NOTA:8/10.

CURIOSIDADES:

Restaurado em 1981 após 20 anos de trabalho por Kevin Brownlow para uma versão de 235 minutos. Em 2000 Kevin Brownlow conseguiu restaurar os 330 minutos do filme (o filme original tinha 333 minutos).

Abel Gance ficou horrorizado com o pouco impacto que suas cenas causavam no formato da tela. Um novo formato foi criado especialmente  para a filmagem deste filme, chamado Polyvision, que combinava três câmeras grudadas uma a outra, para obter uma imagem maior e mais ampla. O formato seria o antecessor do widescreen.

Além de ser o primeiro filme gravado em "widescreen", foi o primeiro filme a conter uma trilha sonora (o filme era mudo, a trilha sonora era tocada por uma orquestra na sala de cinema).

Abel Gance dirigiu, escreveu, produziu e atuou no filme.

PRÓXIMO: O Caçula...o primeiro filme de comédia da lista estrelado por Harold Lloyd.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

#35 - O Cantor de Jazz (1927)

Título: The Jazz Singer
Duração: 88 minutos
Dirigido por: Alan Crosland
Escrito por: Alfred A. Cohn
Produzido por: Darryl F. Zanuck
Estrelado por: Al Jolson, May McAvoy, Warner Oland, Eugenie Besserer, Otto Lederer
IMDB: 6,8
Rotten Tomatoes: 74%

     Esperem um minuto! Esperem um minuto! Vocês ainda não ouviram nada! O Cantor de Jazz, o primeiro filme falado, aquele que abriu as portas para um novo cinema. É difícil analisa-lo apenas como um filme e não como um marco. É difícil se concentrar na história enquanto você ouve as primeiras palavras jamais ditas no cinema, e obviamente ainda existe toda a polêmica sobre o racismo. Para simplificar a minha tarefa irei dividir esta crítica em três: a história, o som e o racismo.
     Primeiramente vamos a história. Um Cantor judeu (Cantor é uma sagrada profissão religiosa para os judeus, é aquele que tem a honra de cantar os hinos sagrados) treina o seu filho para seguir os seus passos, mas o jovem menino tem o jazz em seu coração. Na infância o pai descobre que seu filho está cantando em um salão de jazz e o retira raivosamente de lá. Uma discussão acontece e o jovem Jakie Rabinowitz sai de casa enquanto que seu pai diz para sua mãe: "nós não temos mais um filho".
     Os anos passam e após conhecer a linda Mary Dale, as portas da Broadway se abrem para o cantor de jazz, agora chamado de Jack Robin. Quando ele chega a Nova York para seu novo espetáculo, ele decide visitar a casa de seus velhos pais. A mãe chora ao vê-lo e emocionado ouve seu filho tocar um jazz no piano. Quando o velho Cantor Rabinowitz ouve isto, grita e novamente discute com seu filho.
     Para encurtar o resto da história, o velho Cantor fica doente na véspera do Yom Kippur, a mais sagrada data judaica. O último desejo, e a única esperança de que se recupere, é ouvir o seu filho cantar o sagrado Kol Nidre. O maior problema: a grande estreia da peça de Jack na Broadway é exatamente no dia do Yom Kippur.
     Como podem ver, a história é interessante, mas fraca comparada a outras que vimos antes. Não seria de grande destaque se não fosse o primeiro filme falado, provavelmente. Vamos agora a segunda, e mais importante, parte da crítica.
     O filme não é 100% falado. A introdução do som se limita a algumas músicas que Jack canta e a alguns raros diálogos. Uma boa parte do filme é muda, contando com os característicos intertítulos. Mas as cenas de voz são emocionantes. Tente se colocar no lugar de alguém em 1927. Ouvir uma voz saindo de um filme, deve ter sido a sensação mais impossível na cabeça de muitos.
     E por último a parte mais polêmica do filme, o seu racismo. E a minha opinião talvez seja tão polêmica quanto, eu não acho que este filme seja racista. Antes que me crucifiquem deixem eu explicar. Este filme não é como O Nascimento de Uma Nação, que exalta e glorifica o racismo. Este filme mostra um ator de teatro usando blackface, uma prática racista.
     Seria o mesmo que dizer que um filme sobre escravidão é racista por mostrar negros escravo de brancos. Ele representa uma situação racista. Se o filme mostrasse um branco com blackface atuando como um negro, eu acharia racista. Mas ele mostra este blackface dentro de uma peça. Acho que dá para entender meu ponto, mas estou aberto a correções e/ou críticas.

NOTA: 8,0/10. Provavelmente devido a ser o primeiro filme falado apenas.

CURIOSIDADES:

A frase "Wait a minute, wait a minute. You ain't heard nothing yet" é considerada a 71° frase mais famosa da história pela AFI.

Myrna Loy teve um papel não creditado em uma pequena cena.

O primeiro musical da história!

CITAÇÕES:

"Wait a minute, wait a minute. You ain't heard nothing yet"

"Leave my house. I never want to see you again, you Jazz singer!"

"We in the show business have our religion too - on every day, the show must go on! "

PRÓXIMO: Napoleão... um filme mudo de 5 horas de Abel Gance sobre Napoleão.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

#34 - Outubro (1927)

Título: Oktyabr
Duração: 103 minutos
Dirigido por: Sergei Eisenstein
Escrito por: Grigori Aleksandrov, Sergei Eisenstein
Produzido por: Sergei Eisenstein
Estrelado por: Layaschenko, Vasili Nikandrov, Nikolay Popov
IMDB: 7,5
Rotten Tomatoes: 88%


     Confuso. Chato. São as primeiras palavras que Outubro me traz a cabeça. E extremamente decepcionante. Após Eisenstein nos entregar o envolvente Potemkin, eu esperava no mínimo um filme decente.
     Este é um filme sobre a Revolução Russa, contando sobre o início e o fim do Governo Provisório. Porém se isto não estivesse escrito no sumário eu poderia não ter percebido. O filme é confuso, impossível de acompanhar. Ele foi encomendado pela liderança soviética para comemorar os 10 anos da revolução, mas é dito que nem mesmo Stalin conseguiu entender a história do filme!
     Outra coisa que me irritou muito no filme foram as estátuas. Nas primeiras duas ou três vezes em que a cena foi cortada para mostrar uma estátua, eu pensei "o filme pode ser ruim mas a direção de Eisenstein não decepciona". Mas depois de dez ou quinze cenas cortadas para mostrar uma estátua, isto se tornou um tanto desconfortável e repetitivo.
     Eu não vou me detalhar na história porque é apenas isto: um relato confuso sobre a Revolução Russa. Não temos personagens principais (uma das reclamações de Stalin, o próprio Lenin apareceu por não mais que 5 minutos na tela). Não temos nada para se apegar durante o filme.
     Eu consegui sentir emoção no filme apenas em uma cena, onde a ponte lentamente se levanta enquanto o corpo de uma mulher jaz inerte. Com o seu cabelo lentamente caindo, uma cena simples mas, ao contrário do resto do filme, emociona.
     Mas obviamente existem aqueles que amam o filme e o consideram fabuloso. Vsevolod Pudovkin, outro diretor soviético, comentou sobre Eisenstein e Outubro: "Como eu gostaria de produzir um fracasso tão poderoso!"

NOTA: 2/10. Talvez o pior filme que eu assisti na lista até agora.

CURIOSIDADES:

Eisenstein teve que editar todas as cenas que se referiam a Trotsky, após sua recente purga.

A filmagem no Palácio de Inverno contou com 11 mil figurantes e a luz necessária para a filmagem deixou o resto da cidade no escuro.

Mais pessoas se feriram na gravação das cenas no Palácio de Inverno do que no real assalto Bolchevique.

PRÓXIMO: O Cantor de Jazz... o primeiro filme falado da lista.